terça-feira, 13 de abril de 2010
Bons de garfo
A ironia precisa de Mário Quintana. A ausência de pontuação de Saramago. O atrevimento criativo de Fernanda Young. A modernidade underground de Clarah Averbuck. A falta de precisão de Clarice Lispector. A sensibilidade de Cecília Meireles. A capacidade de síntese de Alice Ruiz. O pensar bonito de Martha Medeiros. O viver (e descrever) bonito de Cristiana Guerra. A poesia, mesmo sem rima, de Carlos Drumond. A simplicidade e a ternura de Afonso Sant'anna. A liberdade de Domingos de Oliveira. A loucura conceitual de Caetano. O elogio ao cotidiano de Chico Buarque. O conhecimento das coisas (e das causas) de Milton Nascimento. A melodia sem rimas de Vanessa da Mata. A escrita alcóolica e dolorida de Charles Bukowski. A capacidade de nos fazer mergulhar nas palavras de Rubem Braga... É bom ter alguém para admirar. Nesse caso, "alguéns". De jeitos bem diferentes, que fique bem claro. Quem sabe, com muita prática e, depois de comer muito arroz com feijão eu chegue lá. Mas não é comer com educação. É bater um pratão, daqueles que fariam a felicidade de um mestre-de-obras. O valor nutritivo não seria grande coisa, mas as palavras... Essas saíram da mesa mais felizes e satisfeitas.
