Meu blog mudou.

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terça-feira, 19 de junho de 2012

De mudança  

Em janeiro de 2009 escrevi aqui pela primeira vez. Sem pretensão nenhuma, a não ser a de não me perder do meu amor pela escrita. Muitas coisas aconteceram nesses três anos e sinto que boa parte delas esteve aqui, de um jeito ou de outro. Não posso dizer que minha vida mudou nesse período. Continuo sendo a mesma pessoa, morando no mesmo lugar, trabalhando em um lugar especial, convivendo com profissionais que amo e respeito. Ao  mesmo tempo, sei também que sou uma pessoa diferente. Que agreguei novos olhares aos que já tinha, que mudei várias percepções sobre o mundo, que inaugurei em mim sentimentos diferentes. Isso não é pouco. Muitas vezes, é tão grande que parece não caber em mim. E viver é isso também: se descobrir pequeno diante das coisas. Querer ser maior, nos bons sentidos da palavra. Se aceitar menor quando não cabe tentar ser o contrário. Mesmo com essa consciência, 2012 tem sido decisivo para mim. Tem me mostrado um horizonte de novas possibilidades para as quais não quero mais só olhar. Quero me mover na direção delas, mesmo sem saber direito para onde me levam. Começo mudando de endereço. Este blog, tão simples, vai se transformar em uma página. Uma página nova para mim também, feita com muito carinho pelo meu marido. Um presente também sem grandes pretensões, a não ser a de me fazer feliz e abrir mais espaço para eu escrever o que escrevo, seja lá o que isso signifique. Obrigada a todos que passaram por aqui nesse tempo. Espero ter merecido o carinho da visita e dos comentários. A partir de hoje, nos vemos em um lugar diferente:



Como em toda mudança, a casa ainda não está pronta. O básico está lá, mas faltam os detalhes. Aqueles que a gente vai agregando com a rotina e que transformam a casa em lar. Se você não se incomodar com a minha bagunça, pode entrar. Entre uma coisa e outra fora do lugar, a gente conversa. Com sorte, se entende. Até lá!

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Presente sem laço de fita  



Aprendi, desde criança, a gostar mais dos cartões do que dos presentes. Adulta, entendi que mais gostoso ainda é receber presente que não vem embalado com laço de fita. É claro que uma embalagem bonita me deixa contente, mas a novidade passa, a roupa envelhece, os brincos se perdem, o sapato esborracha e o sorriso não. A conversa não. O email carinhoso não. O telefonema inesperado também não. Ontem ganhei um dos presentes mais bonitos que eu já tive. A surpresa: quem trouxe foi a internet, quem mandou foi o meu amor. Hoje ganhei outro presente assim. Quem meu deu foi uma pessoa muito querida que espero, nunca se perca de mim. Outra coisa boa nisso tudo: entendi que cartão a gente também escreve ao vivo, sem usar papel nenhum. 

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Amor é filme  

 Quando menos se espera, ele se revela...












quarta-feira, 13 de junho de 2012

Meu número de sorte  


Hoje você faz aniversário, filho. Lá se vão 18 meses com a gente. Comigo, mais nove  além desses. Desde que você escolheu o dia 13 para nascer, esse passou a ser o meu número de sorte. Você sabe, porque isso está escrito no seu livro. Aquele que a tia Chris fez com todo o carinho, que eu e seu pai inauguramos e onde parte da família contou o quanto ficou feliz com a sua chegada. Tantas coisas emocionantes vieram com você! Até hoje, não dei conta de entender nem a metade delas. Talvez eu nunca consiga e, ao pensar nisso outro dia, entendi que pode ser bom. Quando a gente teima em explicar, nossa compreensão acaba sendo rasa demais, porque deixamos fora da definição tudo aquilo que não cabe em palavras. E muito do que eu sinto e tenho vivido é assim, filho: grande demais para se resumir em qualquer texto, por mais longo que ele seja. Então, vou tentar entender o que me cabe e explicar para você o que eu puder. Começo confessando: não acordei me lembrando dessa data especial. A vida anda tão corrida que só me dei conta de que hoje é o seu dia ao chegar no trabalho. Ao descobrir, meu coração ficou apertado porque, justamente hoje, nós não nos demos nem bom dia. Você dormiu na casa da sua avó porque ontem foi Dia dos Namorados e eu e seu pai saímos para jantar. Era preciso, sabe? Aliás, não era preciso, era vontade. Quando crescer, você vai entender melhor do que agora, mas eu e seu pai fizemos um pacto: nunca deixar de ser namorados. É importante para nós e também vai ser para você. Faz muita diferença crescer em um ambiente feito de amor e, se não tivermos cuidado, ele se perde de nós. Saiba que, além do esquecimento, hoje talvez seja um aniversário sem presentes. Não vou sair correndo para comprar alguma coisa com pressa só para não sentir culpa. Prefiro usar esse tempo para organizar tudo no trabalho e sair a tempo de encontrar você acordado, perguntar como foi o seu dia e dar um abraço bem forte, desses que contam tudo sem dizer nada. Agora que você já corre, fala um monte de coisas e se comunica com a gente de todas as formas, nos entender tem ficado mais fácil. Espero que você sinta o mesmo, filho. Que seus olhos estejam colecionando imagens bonitas e que, ao olhar para elas, você esteja formando o seu entendimento do mundo, prestando atenção primeiro no que é bom, afinal, é isso que vai preparar você para aceitar (ou mudar) o que é ruim. Acho que meu presente para você, além de um abraço apertado, vai ser este: tentar não ser perfeita, como já disse aqui, mas dar sempre o melhor de mim. Não perder a capacidade de me emocionar com cada descoberta sua, mesmo quando você chegar àquela fase chata e feia, na qual as crianças perdem a graça para o mundo. Meu outro presente será também comprar um quadro com a nossa foto, na exposição feita pela tia Chris. Nele, estamos eu, você e o seu pai, no meu primeiro Dia das Mães, com você do lado de fora da barriga. Será uma forma de olhar para essa lembrança todos os dias, cada dia com um olhar diferente. Você tem feito a minha vida muito grande e feliz. Nunca se esqueça disso. Mesmo quando eu não disser. Mesmo quando a gente brigar e demorar para fazer as pazes. Mesmo que um dia a gente discorde de quase tudo, essa certeza que tenho hoje nunca será questionada. Você sempre será minha sorte, meu maior merecimento, nosso prêmio milionário na MegaSena. E por falar nisso, talvez eu jogue. Já tenho todos os números e o mais bonito deles, você sabe, é o 13.

terça-feira, 12 de junho de 2012

Aos que têm amor  

Esta semana alguém falou sobre peso e leveza. Do desafio enorme de encontrar o equilíbrio entre as duas coisas e do quanto o significado de cada uma delas pode se tornar diferente de acordo com o contexto. Confesso que nunca havia refletido sobre isso, mas ao ouvir essa comparação tão simples e densa, me peguei pensando na vida. Em muitos aspectos dela, mas, sobretudo no amor. Este sentimento que a gente persegue desde criança e que às vezes é fardo, em outras, recompensa. Fiquei imaginando que, hoje, nem todos vão comemorar o Dia dos Namorados com o coração contente. Que algumas pessoas têm em casa um amor que já foi bonito, mas agora é só uma sombra do que era antes. Que outras vão passar a noite em um bar com amigos, olhando para os lados e se perguntando: "será que hoje a minha busca termina?". Pensei nas mulheres que planejaram cada detalhe do casamento e hoje nem sabem dizer se em casa têm um marido. Pensei nos maridos que olham suas esposas de longe, sempre correndo em busca de algo que ainda não têm e deixando de lado o que já conquistaram. Pensei nos filhos que torcem para ver os olhos dos pais brilhando ao olharem um para o outro e nos pais que se sentem longe dos filhos mesmo morando na mesma cidade. Ao pensar no triste, tive a medida do equilíbrio. Entendi que, assim como em outras áreas da vida, também precisamos dos maus exemplos para aprender a valorizar os bons. Que é verdade, amor não é perfeito, mesmo porque, não tem esse desejo. Quem tem é a paixão que nos desafia a mostrar só o melhor de nós, com a ameaça de que, se não for assim, não seremos dignos de sermos escolhidos. Não. O amor não nos prega essa peça. Ele nos prega outras, não essa. Ele sabe que é impossível mostrar só o que é bom todos os dias porque, exatamente ao revelarmos nossos defeitos é que teremos certeza de que somos bem quistos. É esse tipo de amor que eu gostaria de comemorar hoje. Esse que sabe que alguns dias serão melhores do que os outros e tudo bem. Esse que entende que casamento, também é revelar duplas e triplas personalidades. Esse que não acusa o outro de ser diferente depois de trocar a aliança de lado. Esse que não deixa de fazer pequenas surpresas, que não se acomoda depois da conquista, que é sincero, acolhedor e companheiro, mas também é firme quando tem que ser. Esse que não diz tudo o que poderia porque entende que magoaria o outro de um jeito pra sempre. O amor que eu gostaria de comemorar hoje é aquele que se revela nas pequenas gentilezas, nos pequenos cuidados e que sempre se baliza pelo respeito. A ele, dedico pétalas de rosas, uma taça de vinho e um abraço demorado na esperança de que seja leve. Pelo menos o bastante pra gente carregar sem peso nenhum.

terça-feira, 5 de junho de 2012

Sob as lentes do amor  


Li uma vez que "a vida se contrai ou se expande na medida de nossa coragem". Essa frase fez tanto sentido para mim que, depois dela, tentei ser uma pessoa mais destemida diante das coisas, especialmente daquelas que me metiam medo. Foi assim ao aprender a dirigir, ao falar em público, ao criar o blog e ao descobrir que eu teria um filho. É assim agora que, pela primeira vez, minhas palavras vem acompanhadas do meu sobrenome e não da marca do cliente. Pode parecer fácil depois de quinze anos de estrada, mas não é. E, exatamente por isso, eu quis fazer. O que espero com isso? Duas coisas: que a minha fala seja moldura para histórias bonitas e que ajudem a revelar o talento de uma pessoa muito corajosa: a minha irmã. Se você quiser conhecer, fica aqui o convite. 

domingo, 3 de junho de 2012

O maior de todos os prêmios  


Na minha casa, boletim com notas boas nunca foi sinônimo de elogio. Muito menos de recompensa. Presentes eram raros e não tinham data certa para chegar. Aniversário, Natal ou Dia das Crianças não eram senhas para encontrar nada inesperado em cima da cama, muitas vezes, nem para ganhar um abraço. Em reuniões de escola meus pais nunca eram chamados, então, nossos professores nunca puderam contar para eles o quanto eu e minha irmã gêmea éramos boas alunas. Sabíamos que era proibido conversar com estranhos, que era preciso ajudar nas tarefas domésticas, ir e voltar da escola direto para casa, mas não sabíamos direito o que nossos pais pensavam de nós, a não ser quando eles contavam isso para algum amigo ou parente e nós ouvíamos atrás da porta. Por algum tempo, pensar nessas coisas me deixou triste e, um dia, entendi o motivo: essas ausências somadas me fizeram associar minha infância à falta de amor. Sim, porque nunca ouvimos a frase "eu te amo" dos nossos pais. Fomos educadas para respeitar os mais velhos e aceitar o que nos era dito, mesmo se estivesse errado. Os pronomes de tratamento "senhor" e "senhora" eram obrigatórios em todas as frases e cobrados com tanta ênfase que, um dia, no meio de uma discussão, ousei pronunciar um "você" para minha mãe e isso soou como a maior das ofensas. Claro, assim como acontece com a maioria dos adolescentes, aos 13 anos, eu tinha a certeza de que meus pais não falavam a minha língua. Sentir isso me fez pensar mesmo que éramos de outro país e não era para menos. Usávamos idiomas diferentes. Eles demonstravam afeto oferecendo camas limpas, comida quente e regras claras e tudo que eu queria era ouvir "você é uma boa filha" e "as coisas que você pensa têm valor". Essas frases nunca vieram, então, a primeira vez que realmente entendi o quanto meus pais me amavam foi no trabalho. Tinha 16 anos quando me inscrevi para o primeiro estágio e fui parar em um ambiente estranho, longe da proteção da minha casa e dos limites da escola. As pessoas eram ríspidas, desconfiadas e hostis. Não viam com bons olhos minha vontade de trabalhar e de fazer as coisas bem feitas. Entender isso foi difícil porque era parte importante do que meus pais tinham me ensinado. O que fazer então? Eu devia ser menos aplicada? Esquecer tudo o que eu havia aprendido? Entendi que não quando os primeiros resultados vieram. Conquistei a confiança de uma das pessoas mais difíceis que já conheci, acho mesmo, que o carinho também. Em pouco mais de um mês de trabalho, aprendi a usar o computador, uma máquina que ninguém sabia direito o que era; ajudei a organizar um departamento inteiro; sobrevivi a uma prova de fogo e, um belo dia, fui chamada para uma reunião. Ali, no meio de muitos adultos, de pessoas que eu temia e que sequer sabiam o meu nome, recebi meu primeiro elogio de verdade. Um elogio que não era nota boa, nem "parabéns" escrito com a letra da professora. Era a fala do meu chefe e, ao falar de mim, sabia o meu nome e não só reconheceu a qualidade do meu trabalho, como a qualidade do meu comportamento. Pela primeira vez, eu soube que falar baixo; saber ouvir (e só depois expressar a minha opinião); ser organizada; ter disciplina e respeitar as pessoas, eram qualidades. Até ali, eram apenas obrigação. Ouvir aquelas palavras, me fez entender, imediatamente, que apesar dos meus pais não terem falado a minha língua, eles entendiam a linguagem do mundo. Que mesmo não me dizendo o quanto tudo o que eu havia aprendido era importante, eles me tinham preparado para que eu ouvisse isso das pessoas. Que embora, em casa, aquelas coisas fossem lugar comum, longe dali, o que me ensinaram tinham valor, me tornava diferente e, em certa medida, especial. Naquele dia, voltei para casa me sentindo milionária. Sabia que não precisava de um testamento para receber uma grande herança. Ela já estava em mim e me dava a certeza de que eu poderia seguir mais confiante pela vida. Acho que depois disso, os elogios, os presentes, as tradições, as comemorações e os prêmios passaram a me fazer menos falta. Eu tinha entendido que meus pais me amavam tanto que tinham me dado o que as pessoas chamam de "valores" e isso me valeu muito. Descobri que eu poderia sim, não agradar a todos, nem ser amada o tempo todo, mas que havia uma parte grande no mundo que iria ver com bons olhos a pessoa que eu tinha me tornado. Eu me orgulhava de mim não com esse orgulho que é sinônimo de impáfia, mas com a felicidade de ter recebido o dom de valorizar mesmo o que me faltava. Não pensei nisso durante muito tempo, até essa semana, quando uma experiência difícil no trabalho me fez ter certeza de que estou rodeada de pessoas que foram tão amadas quanto eu. Talvez elas tenham ouvido mais "eu te amo". Talvez tenham tido experiências diferentes das minhas, mas, de alguma forma, chegamos ao mesmo ponto acreditando nas mesmas coisas e lutando por nossos objetivos de coração aberto e consciência tranquila. Perceber isso me fez sentir orgulho dos meus pais, mais uma vez. Entender que essa visão também chegava ao nosso cliente, me fez sorrir por dentro e descobrir que não são poucas as pessoas que receberam o meu tipo de amor. Ele existe e está aí para nos servir de lição. É claro, existem também as pessoas que receberam um amor diferente. Aquele, feito de elogios rasgados, presentes que substituem presenças, reconhecimentos nem sempre merecidos. Apesar de uma infância feliz e repleta de (falsa) riqueza, essas pessoas podem se tornar pobres, mesmo com uma conta bancária muito farta. A elas pode não ter faltado a palavra "não", mas certamente faltaram palmadas e lições que o mundo terá que aplicar. Mais uma vez, olho para trás e fico feliz. O que aprendi será parte da herança do meu filho. Com sorte, será herança dos filhos dele também. Aos meus pais queridos que começaram tudo isso, às minhas irmãs que também receberam o mesmo presente, aos meus amigos e companheiros de batalha que me ajudam a carregar essa espada, ainda que ela pareça bem pesada em algumas guerras, o meu carinho e um sincero "obrigada". Na sexta-feira, recebi o maior de todos os prêmios: voltei pra casa com a sensação de missão cumprida e o melhor, de cabeça erguida.