sábado, 26 de dezembro de 2009

Natal no plural  

Ela não sabia direito o que era o Natal, mas, do alto dos seus três anos de idade, parecia bom. Naquela época, os adultos não se importavam em explicar muita coisa para as crianças. Pensavam que elas não podiam entender. Talvez, se eles soubessem explicar, elas entendessem. Mas tudo bem. O que não cabia em uma resposta pronta, ganhava milhares de versões na imaginação dela. Assim, na falta de um rosto para o Papai Noel, ela inventou um rosto para ele. E era o rosto do seu avô. Não de um avô de verdade, porque o primeiro ela não conheceu. [Só soube que era bom e tinha os olhos azuis, da cor do céu]. Do segundo, pai do seu pai, ela só sabia que era bravo e viajava bastante. [Uma das poucas lembranças que tinha dele era de um dia sentado na cadeira de fio da varanda, tirando o pente redondo do bolso e entregando para ela e a irmã pentearem a careca brilhante]. Já do avô postiço, que morava do outro lado da rua, ela sabia muitas coisas. Era grisalho, tinha bigode e sabia sorrir. A casa dele tinha cheiro de bala, daquelas que ele guardava na lata. Na lata que ele abria para ela e para a irmã, escolherem as preferidas, ficando na ponta dos pés. Naquela casa, com um calçada larga, ele vendia bonecas, arroz, feijão, fogos de artifício e outras coisas que não eram divertidas, tipo pneu de bicicleta. Quando falavam que o bom velhinho entrava pelo telhado e deixava presentes para as crianças bem comportadas, era nele que ela pensava. Ele era sua referência de velhinho. E de velhinho bom. Ela sabia que ele era assim porque a sua mãe gostava dele. E a mãe dela era inteligente, apesar de parecer triste. E a tristeza dela ficava guardada dentro de casa. Da casa azul que eles moravam e tinha um quarto verde. Do lado de fora da casa havia um quintal. E o quintal tinha som de cigarra e gosto de jabuticaba. E ainda hoje ela gosta das duas coisas. Mas do Natal, ela guarda poucas lembranças. Na verdade, só duas. Dois natais que foram felizes. Felizes porque algo inesperado aconteceu. No primeiro, aconteceu que disseram para ela e para a irmã colocarem o sapatinho embaixo da cama, porque ali, Papai Noel deixaria um presente. E elas deixaram. Dois chinelinhos bem alinhados em cima do tapete. Antes de dormir, ela prometeu para si mesma que iria acordar no meio da noite e olhar bem para a cara do Papai Noel. Mas não acordou. Só no dia seguinte. E quando percebeu que era de manhã, rolou para o canto da cama e pendurou a cabeça para baixo tentando enxergar lá no chão. Para a sua surpresa, lá estavam eles. Dois presentes compridos embrulhados em papel colorido. Dois embrulhos que ela não lembra de ter aberto, nem de ter brincado. Por melhores que eles fossem, eram pouco perto da sensação mágica de que Papai Noel existia e sabia onde ela e a irmã moravam. No segundo Natal, ela tinha quase sete anos e estava triste. Tinha se mudado de casa e se perguntava se alguém tinha deixado o endereço para ele. E o engraçado foi que, diferente do Natal passado, nesse ela descobriu quem havia trazido os presentes. E não era o bom-avô-velhinho. Eram suas irmãs. Elas chegaram uma tarde, de surpresa, trazendo vários presentes: uma boneca de pano e vestido azul, biscoito, doce de leite e um sorriso para enfeitar o rosto da mãe. Não teve ceia, nem Papai Noel, nem meia noite. Mas teve conversa com rostos iluminados pela lamparina, som de água saindo do rio e uma sensação que ela ainda não conhecia: a de uma noite realmente feliz.


sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Acontece no Natal  

Acontece com você? Ter a certeza de que muito do Natal foi forjado e, mesmo assim, se deixar enganar? Procurar beleza em um enfeite tolo? Pensar que, quando você tiver a sua família algumas tradições - que antes eram um tédio - serão mantidas? Acontece com você aquela sensação boa ao ver a cidade iluminada e o ritmo das coisas diminuindo conforme o feriado se aproxima? Acontece comigo. E deixei acontecer de propósito, sabe por que? Não quero perder a capacidade de me emocionar. Não quero olhar para o Papai Noel e pensar que a Coca Cola o vestiu de vermelho para vender um xarope com nome esquisito. Prefiro acreditar que, pelo menos algum dia, ele existiu. Não quero pensar que os presentes são sinônimo de culpa, remendos para as pessoas se sentirem melhores diante do que não disseram ou fizeram de bom. Prefiro pensar que são demonstrações de afeto que chegam com dia marcado graças ao incentivo do décimo terceiro. Não quero olhar para a árvore e pensar que ela é de plástico. Prefiro imaginar que não importa do que seja feita; se é grande ou pequena; cara ou barata; feia ou bonita; está ali para me lembrar que alguém pode enfeitar aquele espaço com um cartão carinhoso. Não quero pensar no amigo secreto como a oportunidade de falar de alguém que eu não conhecia direito. Prefiro tentar conhecer cada pessoa, um pouquinho a cada dia e ter vários amigos declarados e queridos, para os quais eu não tenha dia certo para fazer um elogio. Acontece que, para mim, o Natal ainda faz sentido e, saber disso, não me faz sentir piegas nem idiota. Só humana.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Perder para ganhar  

Esta semana o pessoal da agência começou uma gincana. Vão competir pra ver quem perde mais peso até o ano que vem. Eu poderia escrever um tempão sobre isso porque achei a atitude de fazer uma versão mercatteira do reality show internacional o máximo! Simples, divertida e muito fofa, com o perdão do trocadilho. Mas o motivo do post é outro. Eles me fizeram lembrar o quanto é importante perder para saborear o gostinho de vencer. Depois de um ano longo, cheio de tropeços e portas que pareciam se fechar, chegamos a dezembro vivos. Um pouco tortos e cansados é verdade, mas inteiros. É bonito ver que a gente soube manter a fé e a esperança enquanto os clientes gritavam, o dinheiro sumia do mercado e as previsões de catástrofe bombavam na tv. É, eles bem que tentaram, mas ao invés de acreditar no que estava escrito, a gente preferiu acreditar no que éramos capazes de escrever.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

A salvação da minha sexta  

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

O dia em que a pauta parou  

Revolta das máquinas parte 10. Hoje, mais uma vez, a tecnologia se virou contra nós. Ou a nosso favor. Desde as 11h da manhã sem rede, com todos os jobs ilhados em um mar de vírus e problemas indecifráveis. Por que os técnicos de informática nunca falam a mesma língua? Mas o saldo não foi ruim. Clima mais light na criação (apesar dos atendimentos estarem planejando uma vingança para o day after: todos os jobs da semana em um único dia para compensar); rodízio de salgadinhos em teste de degustação; reuniões rápidas e necessárias; tempo para planejar, na impossibilidade de executar. Melhor que isso, só outra boa notícia: o expediente precisa acabar às 18h porque hoje é dia de dedetização. É, pensando bem, a gente é feliz. : P

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Aqueles dias, aquelas coisas  


Mudei de ideia: hoje é isso que eu tenho a dizer. : P

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

O que o canto esconde?