quarta-feira, 13 de junho de 2012
Meu número de sorte
Hoje você faz aniversário, filho. Lá se vão 18 meses com a gente. Comigo, mais nove além desses. Desde que você escolheu o dia 13 para nascer, esse passou a ser o meu número de sorte. Você sabe, porque isso está escrito no seu livro. Aquele que a tia Chris fez com todo o carinho, que eu e seu pai inauguramos e onde parte da família contou o quanto ficou feliz com a sua chegada. Tantas coisas emocionantes vieram com você! Até hoje, não dei conta de entender nem a metade delas. Talvez eu nunca consiga e, ao pensar nisso outro dia, entendi que pode ser bom. Quando a gente teima em explicar, nossa compreensão acaba sendo rasa demais, porque deixamos fora da definição tudo aquilo que não cabe em palavras. E muito do que eu sinto e tenho vivido é assim, filho: grande demais para se resumir em qualquer texto, por mais longo que ele seja. Então, vou tentar entender o que me cabe e explicar para você o que eu puder. Começo confessando: não acordei me lembrando dessa data especial. A vida anda tão corrida que só me dei conta de que hoje é o seu dia ao chegar no trabalho. Ao descobrir, meu coração ficou apertado porque, justamente hoje, nós não nos demos nem bom dia. Você dormiu na casa da sua avó porque ontem foi Dia dos Namorados e eu e seu pai saímos para jantar. Era preciso, sabe? Aliás, não era preciso, era vontade. Quando crescer, você vai entender melhor do que agora, mas eu e seu pai fizemos um pacto: nunca deixar de ser namorados. É importante para nós e também vai ser para você. Faz muita diferença crescer em um ambiente feito de amor e, se não tivermos cuidado, ele se perde de nós. Saiba que, além do esquecimento, hoje talvez seja um aniversário sem presentes. Não vou sair correndo para comprar alguma coisa com pressa só para não sentir culpa. Prefiro usar esse tempo para organizar tudo no trabalho e sair a tempo de encontrar você acordado, perguntar como foi o seu dia e dar um abraço bem forte, desses que contam tudo sem dizer nada. Agora que você já corre, fala um monte de coisas e se comunica com a gente de todas as formas, nos entender tem ficado mais fácil. Espero que você sinta o mesmo, filho. Que seus olhos estejam colecionando imagens bonitas e que, ao olhar para elas, você esteja formando o seu entendimento do mundo, prestando atenção primeiro no que é bom, afinal, é isso que vai preparar você para aceitar (ou mudar) o que é ruim. Acho que meu presente para você, além de um abraço apertado, vai ser este: tentar não ser perfeita, como já disse aqui, mas dar sempre o melhor de mim. Não perder a capacidade de me emocionar com cada descoberta sua, mesmo quando você chegar àquela fase chata e feia, na qual as crianças perdem a graça para o mundo. Meu outro presente será também comprar um quadro com a nossa foto, na exposição feita pela tia Chris. Nele, estamos eu, você e o seu pai, no meu primeiro Dia das Mães, com você do lado de fora da barriga. Será uma forma de olhar para essa lembrança todos os dias, cada dia com um olhar diferente. Você tem feito a minha vida muito grande e feliz. Nunca se esqueça disso. Mesmo quando eu não disser. Mesmo quando a gente brigar e demorar para fazer as pazes. Mesmo que um dia a gente discorde de quase tudo, essa certeza que tenho hoje nunca será questionada. Você sempre será minha sorte, meu maior merecimento, nosso prêmio milionário na MegaSena. E por falar nisso, talvez eu jogue. Já tenho todos os números e o mais bonito deles, você sabe, é o 13.
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