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sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Os produtos e as crianças  

Ontem, enquanto aproveitava a meia hora milagrosa que me sobrou para o almoço, li uma entrevista do Maurício de Souza, o criador da Turma da Mônica, publicada na Revista Veja.

Na matéria, ele respondia de forma inteligente às indagações de um repórter cético. O motivo da entrevista era o lançamento da revista "Turma da Mônica Jovem" que, apesar de recente, já superou a marca da revistinha tradicional. Enquanto o gibi que conhecemos vende 240 mil cópias/mês, a nova edição já comemora 440 mil. Quando perguntado sobre o motivo desse sucesso, um ponto de vista de Maurício me fez pensar: ele disse que o período da infância está encurtando, mas que, ao contrário da opinião nostálgica da maioria, não vê isso como algo ruim. O argumento é que hoje, com a velocidade da informação e o número de opções que as crianças têm, não precisam passar anos vivendo as experiências que tivemos. Podem vivé-las em horas, dias, no máximo meses.

Pensei na minha infância e da Chris, cercada de coisas boas e simples, como colher fruta no pé, andar à cavalo, tomar banho de rio, ver o leite sendo tirado das vacas e, por um momento, entendi que não precisava ter vivido cinco, sete anos das mesmas coisas. Poderia ter passado por essa fase e ter vivido outras, com o mesmo prazer da experiência. Sim, o que ele disse fez sentido para mim, apesar de estranhar muitos hábitos das crianças hoje.

Para começar, crianças mesmo, têm no máximo 7 anos de idade. A partir daí, já se consideram pré-adolescentes e vivem como tal. Convencem as mães a tingir o cabelo, gastam compulsivamente a própria mesada, trocam de namoradas e até cedem o ombro para os pais imaturos.

Deve ser a tendência natural da vida evoluir enquanto estão no útero para nascerem mais prontas. E realmente evoluem. Falam mais rápido, elaboram o raciocínio bem antes de nós, dominam a tecnologia com as duas mãos nas costas, entram mais cedo na vida adulta. E isso eu lamento, porque a vida real não é brincadeira.

Os estrategistas de marketing descobriram isso há tempos e não são nenhum pouco inocentes ao tirar proveito desse mundo precoce. Os exageros já fizeram surgir leis que proíbem mascotes em comerciais de cerveja (sim, as crianças tendem a achar o hábito de beber tão bonito quanto os bichinhos); limitam a linguagem dos comerciais para que não usem frases imperativas como "peça para o seu pai" e alertam para o fato de que é triste para as crianças pobres sentirem-se diminuídas por não terem o tênis do Seninha ou a coleção da Barbie.

Muito para dizer sobre isso. Algumas leis não fazem sentido para mim. Mas o incentivo ao consumismo cego também não. Vivemos em um mundo tão complexo, os desafios são muitos, vêm de todos os lados e, na maioria das vezes, de uma única vez. Penso que se me for concedido o direito de ter um filho, quero que seja alguém indepente daquilo que pode ou não pode comprar. Uma pessoa que saiba ver a beleza nas coisas simples da vida e que não espere "ter" para "ser". Um raciocínio incoerente considerando a profissão que escolhi. Mas, assim como a vida e as crianças, a propaganda e as pessoas que vivem dela, também precisam evoluir.

What next?

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