quarta-feira, 9 de setembro de 2009
Quando eu crescer
Na vida a gente faz vários rascunhos. Sonhos e planos que desenhamos em pensamentos soltos. Viagens interiores que nos levam pra lugares e situações diferentes, quase sempre, bem próximas da perfeição. Alguns desses rascunhos a gente passa a limpo. Desenha cuidadosamente com lápis colorido, como fazíamos nas aulas de Educação Artística. E por serem tão bem desenhados, saem do papel e se tornam reais. Outros amarelam com o tempo, por pura falta de uso. Às vezes me pergunto se escolhemos os sonhos que queremos realizar ou se são eles que escolhem a gente. A verdade é que, independente de quem esteja no controle, alguns desenhos ficam guardados na gaveta. Muitas vezes, os mais bonitos. Ontem assistindo a um filme bobo [ "Ao entardecer"] me lembrei de vários deles. Pensei em tudo o que projetamos para nós mesmos quando somos crianças. E em quantas vidas teríamos que viver para realizar o que imaginávamos ser capazes. A inocência tem essa beleza: a poesia de não conhecer o impossível e de não se perguntar se faz sentido; se é bonito ou feio; certo ou errado. Faz tudo parecer legítimo, simples e alcançável. Poderia ser tolice, se não fosse fé. E foi com o olhar despretencioso de criança que visitei alguns rascunhos esquecidos da minha infância. Entrei no meu quarto antigo; matei as saudades de jogar Pac Man; voltei caminhando da escola olhando pro meu tênis Conga; penteei o cabelo da minha avó enquanto ela contava uma história; errei a coreografia na apresentação de jazz; dei uma volta na Caloi azul; fui à padaria com a Chris comprar broa de milho e pensei nos sonhos que guardamos entre uma realidade e outra. No final das contas, não me tornei bailarina; não pisei na Lua; não mochilei pela Europa; não morei sozinha. Mas percebi que saber disso não me entristece porque, sim, me tornei professora; perdi o medo de falar em público; tive a sorte de amar meu trabalho; conheci lugares que nunca tinha planejado visitar; comprei uma casa e, no meio disso, aprendi que não precisamos abrir mão de nada. Podemos ser um pouco de tudo o que podemos ser. Afinal, os sonhos que valem a pena, não tem prazo de validade.

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