sexta-feira, 9 de outubro de 2009
Ponte para onde?
Ontem assisti parte de um documentário chamado "A ponte". O engraçado foi que apertei a tecla "Plus" da Sky imaginando ler a sinopse de um filme dramático, no máximo uma ficção futurista, mas o assunto estava longe de uma produção de Hoolywood. Era a leitura interessante da ponte Golden Gate, em São Francisco, e de como a sua história está ligada ao fim de tantas outras. Nas imagens e no áudio, famílias, amigos e parentes contavam a tristeza de perder as pessoas que amavam depois de uma última visita ao famoso cartão postal. Sim, eram todos suicidas. Alguns com doenças graves e cansados de lutar; outros de coração partido; outros apenas vazios de sentido e esperança. Em algumas imagens era possível ver mulheres deixando suas bolsas no parapeito antes de pular; indecisos avaliando a altura da queda; angustiados adiando o salto com medo da própria coragem. Bem triste. Do alto do nosso poder de julgamento e observação, a gente sempre se pergunta o que leva uma pessoa a fazer uma coisa dessas. Acha absurdo, grotesco, covardia e até pecado. Em muitos casos pode ser. Na maioria talvez seja. Mas niguém, por mais próximo e querido que seja, consegue se colocar, de verdade, no lugar do outro e experimentar o sofrimento que termina em uma atitude dessas. Então, prefiro não explicar, mas confesso que tento entender. Egoísta ou não, o fato é que hoje acordei mais consciente do quanto as coisas simples fazem diferença. Em alguns casos, me parece, elas podem nos salvar. Então, obrigada aos amigos que fazem o horário de almoço mais gostoso do que a sobremesa; às irmãs que não tem dia certo para dizer que amam; aos pais que se deixam cuidar; aos colegas de trabalho que dividem as dúvidas, as certezas, as alegrias e as tristezas e fazem, dessa parte da nossa vida, o que ela deve ser; às pessoas queridas que, com apenas um e-mail, nos fazem sentir perto; ao príncipe, por todos os motivos que ele conhece. É preciso mais do que desespero ou uma ponte famosa para competir com isso.

0 comentários: to “ Ponte para onde? ”
Postar um comentário