quarta-feira, 11 de novembro de 2009
Quem se importa?
Eu choro em filmes. Pior: choro em musicais e desenho animado. Ensaio discursos inteiros na cabeça para dar o troco a alguém que magoou uma pessoa injustamente. Eu me indigno ao ver uma lata de refrigerante no chão, um chiclete grudado na calçada. Fico semanas inteiras pensando na família-da-criança-que-morreu-no-tiroteio, depois de ler uma notícia no jornal. É, eu me sinto culpada por ter dito meia dúzia de besteiras para alguém que mereceu. Perco o sono quando sei que no dia seguinte tenho um trabalho importante para fazer. Eu ouso levantar a voz para um cliente defendendo a marca (dele) que nem se importa em destruir. Eu prefiro calar a mentir. Olho para um velhinho atravessando a rua e penso que poderia ser o meu pai. Vejo um cortejo seguindo um carro funerário e agradeço por não ser eu ali, no último adeus a uma pessoa querida. Eu tento rezar antes de dormir e, quase sempre, durmo depois da primeira frase. Sim, eu me culpo por não dedicar mais tempo aos meus amigos e por não participar mais da vida da minha família. É, eu desejei várias vezes ser menos responsável e mais divertida. Olho pra uma pessoa na rua e penso que essa pode ser a primeira e a última vez que verei aquele rosto, mesmo morando em uma cidade que nem é tão grande. Bobagem ou não, eu quero ser uma pessoa melhor. Para mim e para quem convive comigo. Eu invejo pessoas que sabem gargalhar. Penso no que eu faria de bom se tivesse mais dinheiro e quase sempre chego às mesmas conclusões. É, eu descobri que se importar é bem difícil. E que esse acessório não vem em qualquer ser humano. Por isso mesmo, se você não se importa, pretendo continuar me importando.

Que lindo!
Sou bem assim também!
Eu me importo muito! Às vezes, acho que até demais!
Beijos!