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domingo, 17 de janeiro de 2010

Além do que se vê  

Tenho assistido muito a TV fechada e vários, vários canais me conquistaram. Adoro o GNT e a elegância com que falam sobre beleza, saúde e, confesso, celebridades. Amo os documentários, as entrevistas bem feitas que se colocam no nosso lugar e respondem o que gostaríamos de perguntar. Gosto também da descontração criativa do Multishow; da overdose de moda do Fashion TV; das séries do Universal (House and The good wife, forever!) e do Warner; dos filmes da HBO e sinto muita, muita falta do Canal Brasil, que agora se recusa a caber no meu pacote de transmissão. Começando assim, esse post tem tudo para ser o máximo da frivolidade, mas ouso desapontar você que esperava um assunto mais leve e digo: vou recorrer ao drama. Acontece que o tema de hoje surgiu de uma constação simples, vinda de uma análise idem: o mundo anda estético demais! Sim, já faz tempo que isso acontece, mas estão exagerando na dose. Quantos ícones fashion você conhece que fogem ao padrão corpo-perfeito-olhos-claros-roupa-gifada-minuciosamente-escolhida-por-um-personal-stylist? Sinceramente, só me lembro de um exemplo, a linda Alexa Chung, que aliás atende a vários requisitos da lista, mas não sucumbe à vala comum porque o estilo não parece ter vindo da vitrine de uma loja chique e sim, do guarda-roupa herdado de alguém querido. De quantos rostos você se lembra em sitcoms de sucesso que não parecem ter saído de uma forma de porcelana? Quantos cabelos têm fios fora do lugar? Quantos discursos não parecem ensaiados? Quantas entrevistas não parecem ter sido construídas por um assessor bem preparado? Olho para a TV e o que vejo é: apesar de tudo ser muito, muito bem feito, muito, muito pouco parece verdadeiro. Isso é triste porque às vezes você ouve alguém dizendo algo inteligente. Em outras, um ponto de vista diferente sopra o nosso rosto feito brisa e alguém se destaca da massa ensaiada. Mas, quando isso acontece, não consigo confiar plenamente. Resisto para não me deixar levar e acreditar que aquilo é verdadeiro, porque já abusaram demais da minha fé! E no que me ajuda saber disso? Em pouco, mas também em muito. Paro para pensar nas pessoas que mais gosto e admiro nessa vida e, boa parte delas se preocupa sim com a aparência, mas ela é apenas um convite para todo o resto que existe. Elas gostam sim de um casa bonita, mas se preocupam mais em que ela seja acolhedora, um lugar em que os amigos sintam-se em casa também. Elas valorizam o trabalho e a profissão, mas fazem isso mais por amor do que pelo título que exibem na plaquinha da porta do escritório. Gostam sim de viajar, mas não procuram o destino nos catálogos de moda das agências de viagens, mas dentro de si mesmas, perguntando-se: "qual desses lugares se parece mais comigo?". Engraçado, mas as pessoas mais bonitas que conheço passam pouco tempo em frente ao espelho. Elas têm muito mais o que fazer. E fazem as coisas com o coração, querendo sempre SER mais ao invés de TER sempre mais. Parece um julgamento injusto com quem vive de um jeito diferente? Talvez seja. Deve haver milhares de super models e de peruas com topete que são gente boa e se preocupam, de verdade, com a paz mundial. Ok, me desculpem, senhoras, mas ao aparecer na TV vocês não mostram isso para mim. Preferem exibir o solado vermelho de um Louboutin milionário.

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