quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Passou voando  

No dia 13 de dezembro meu filhote completará 1 ano de idade. Repito essa frase mentalmente, várias vezes ao dia, para tentar me acostumar com a ideia. Não, ainda não consegui dar conta da experiência de ser mãe, mesmo tendo sido tão emocionante ouvi-lo pronunciar direitinho isso para mim na semana passada. Preciso olhar para ele todos os dias, ver seus brinquedinhos espalhados no quarto, suas roupinhas estendidas no varal, sua escova de dentes entre as nossas e ver as fotos caseiras no celular para acreditar que ele existe. Já pensei que talvez essa ficha nunca caia e senti medo de nunca conseguir concretizar essa experiência, de nunca fazê-la minha por completo. Ainda é tudo muito etéreo. Como se fosse uma realidade paralela ou uma parte bonita de um sonho, do qual posso acordar a qualquer hora. Talvez eu sinta isso porque os dias são muito longos quando existe um bebê em casa. São muitas as experiências vividas em 24 horas e os dias começam muito cedo (no meu caso, às cinco da manhã). A impressão é de que é praticamente impossível chegar a conclusões e a uma moral da história, porque há muito para ver, ouvir, observar e contemplar. Muitas vezes, a sensação é de que a experiência de ser mãe é como um "restart": apagam-se muitas das suas memórias, certezas e prioridades, como se você, assim como o bebê, também estivesse acabando de nascer. Essa é uma sensação recorrente: a de que estou recomeçando em vários aspectos. Enquanto ele aprende as primeiras palavras, as minhas me faltam. Quando ele desvenda um brinquedo, eu também me pergunto como funciona. Quando alguma coisa chama atenção o bastante para que ele fixe ali o seu olhar, eu também me permito olhar uma segunda vez. Tudo isso acontece em um tempo diferente dos adultos. Um tempo que eu não imaginava mais ter e que hoje me oferece a oportunidade de rir vendo um desenho animado; dar bom dia para as árvores; decorar a letra de uma música; contemplar a chuva; molhar os pés na piscina, sempre com o olhar de quem está fazendo isso pela primeira vez. De um jeito estranho e bom, a maternidade tem se mostrado algo indescritível. Uma experiência que não cabe em poucas palavras e daí talvez veja essa sensação de branco. De que meu texto perdeu a fluência, de que minha vida ganhou um outro ritmo, mais lento e titubeante, sem tantas certezas. Um ritmo de quem se permite parar mais vezes, chegar mais cedo em casa e contemplar o sono de outra pessoa até perder o meu. Um ritmo de um tempo que eu desconheço, mas que desvendo com prazer e alegria, sempre à espera do que vem depois. Se existe uma certeza até aqui é de que meu passarinho está crescendo e desconfio que, por causa dele, eu também.

Links para esta postagem

What next?

You can also bookmark this post using your favorite bookmarking service:

Related Posts by Categories



0 comentários: to “ Passou voando