Meu blog mudou.

Visite meu novo endereço http://www.redatoraquandoescreve.com.br e atualize seus favoritos.

domingo, 6 de maio de 2012

Mãe de menino  

Hoje o dia começou às cinco da manhã, filho. Eu em transe de tanto sono e você todo pimpão pulando no berço. Foi uma das poucas vezes em que olhei para a cena e não consegui achar graça. Queria que você entendesse que era domingo, que o sol ainda nem tinha nascido e que a minha semana vai ser muito cheia, por isso merecia o direito à preguiça. É claro, seria pedir demais. Você é muito pequeninho para saber que a vida anda louca e que as mães também são seres humanos. Então, depois de aceitar, imediatamente, a sugestão do seu pai de levar você para passar o dia na sua avó, senti o que todas as mães (especialmente as de primeira viagem), sentem nessas horas: culpa. Fiquei olhando para os brinquedos espalhados no quarto, para a banheira cheia de água e pensando que ser mãe de menino nem sempre é fácil. Você é forte, aprende rápido e, tudo indica que não vai aceitar "nãos" como resposta, mesmo se eles vierem com bons argumentos. Sei que é cedo para tentar prever o futuro, mas, só por hoje, tive medo do dia em que vou me sentir frágil diante de você. Talvez porque não vai ser difícil ultrapassar minha altura record de 1.63cm, tão pouco falar mais alto do que eu. Mas, no fundo, o que senti não foi o medo de ser vencida em uma discussão, ou de ouvir você batendo a porta depois de ser contrariado. O que me assustou de verdade, a ponto de esfriar meu coração, foi perceber que as coisas passam muito rápido e que, em breve, ao invés de torcer para você dormir para que eu possa deixar as preocupações de um dia longo no chuveiro, vou sentir falta do tempo em que você cabia inteirinho no meu colo. Ao ver você saindo com os amigos, vou me perguntar porque não aproveitei para brincar com você todos os dias de manhã. Ao ver você abraçando uma garota, vou me lembrar com saudade do tempo em que você erguia os bracinhos para que eu te pegasse no colo. Uma coisa é certa: tudo isso pode acontecer um dia, mas espero que o meu sentimento ao presenciar cada acontecimento desses não seja de perda e sim, de alegria. Constatação pura de felicidade por ter feito parte da sua vida da melhor maneira possível, sem exigências, chantagens e, principalmente, sem arrependimentos. Mas saudade, ah, isso eu vou me permitir, sabe? E para evitar que ela nos sufoque, venho colecionando lembranças, na esperança que elas durem por muito tempo. Lembro de quando eu soube de você e de um frio na barriga sem precedentes. Da sensação indescritível de ver o seu pai chorando com você no colo, nas fotos tiradas pela tia Chris. De ver seus olhinhos puxados brilhando no escuro na nossa primeira noite em casa. Da primeira vez que você riu alto. De quando descobriu que eu era a sua mãe e disse isso olhando para mim. Da primeira piada que você entendeu em um desenho animado. Desse jeitinho de rir com a boca fechada, tentando não mostrar os dentes... Tenho muitas memórias lindas e o medo de deixar o tempo passar impunemente me fez lembrar de várias delas. Aproveitei que você estava fora para tirá-las da gaveta e folhear cada uma delas dentro de mim. Entendi que a vida nem sempre vai ser fácil; que haverá dias em que vou estar cansada e você cheio de energia; que mesmo sendo cuidado com tanto carinho, você terá seus traumas e momentos de rebeldia; que eu e seu pai nem sempre faremos a coisa certa; que o tempo vai continuar não sendo nosso amigo e que, até por isso, eu preciso ser forte. E vou ser, filho. Nem que seja só para abraçar você bem apertado antes de dormir.

What next?

You can also bookmark this post using your favorite bookmarking service:

Related Posts by Categories



0 comentários: to “ Mãe de menino