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quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

O poder da mensagem  

Hoje o dia foi importante. Minha irmã completou um ano de casamento (o Carnaval de 2008 foi o único dia na agenda para ela e meu cunhado oficializarem um lindo encontro); um amigo querido chegou aos 2.4 e a secretária da faculdade ligou avisando que as aulas voltaram. Quanta coisa acontece no pequeno espaço entre o sol e a lua, né?

Enquanto os calouros da turma de 2009 se encantam (ou se desiludem) com a primeira semana de aula, aproveito meus últimos dias de folga. Tento me lembrar do que senti quando estive no lugar deles. A lembrança mais clara é a de um corredor escuro com uma luz no fim do túnel. Seria quase poético se no meio não houvesse um monte de bichos grilos fumando baseado. Pausa para rir. Aliás, eu devia ter rido mais naquela época. Na maioria das vezes, era a coisa mais digna a fazer.

Voltando à faculdade, não a minha, mas aquela onde cerca de oitenta filhos me esperam, percebi que é hora de apertar o play e trazer de volta a professora. Foi bom deixar que ela descansasse por uns dias. Back again! [ Ó Deus, ajude que eles não me olhem e pensem: "lá vem o Jason!" ].

Tentando revisar o conteúdo das aulas na memória, lembrei de um em particular: o poder da mensagem. Gosto de pensar na força da palavra e no quanto ela consegue salvar ou destruir. Alguém se lembra da Britney? Muitos sim, afinal, ela está de volta. Depois da fase tatuada, auto-destrutiva e piolhenta (só consigo pensar nesse motivo para ela ter raspado a cabeça), os veículos trazem de volta a princesa de expressão delicada e cabelos dourados ao vento. E, mesmo tendo presenciado todas as vezes em que ela esqueceu a calcinha em casa e fugiu da reabilitação, de novo a gente acredita que ela é quase virgem. Como a mídia consegue isso? Ok, é menos complicado se você não conhece os macetes, nunca ouviu falar da expressão "estratégia de marketing" e não sabe que os agentes existem para abafar escândalos e jogar a sujeira embaixo do tapete. Mas se você tem uma noção bem básica de tudo, a mensagem não devia funcionar. E funciona. Eu mesma, que agora escrevo com tamanha indignação, já me peguei várias vezes olhando para imagem fake da mãe segurando os filhos e ouvi uma voz dentro da cabeça: "tadinha, ela merece uma segunda chance".

Penso na Britney, em todos os caras horríveis que a mídia transforma em símbolos sexuais, na avalanche de BBBs que sobrevivem de músculos e titica de galinha na cabeça e me pergunto por que a mentira é tão bem aceita, enquanto a verdade incomoda tanto. Por que não podemos falar a verdade nos comerciais? Dizer que todas as margarinas são iguais e que ao contrário do que os rótulos dizem, sim, elas estão repletas de gordura trans? Por que não podemos mostrar a celulite da top model, a falta de elevador do apartamento e o cheiro ruim do produto para o cabelo? Eu mesma já concordei que a realidade cansa e que é bom fugir de vez em quando para uma casa onde sempre existe mesa posta no café da manhã, brisa entrando na janela e família acordando de pijama. O que me preocupa é que, ultimamente, as pessoas querem viver cada vez mais tempo nessa fantasia.

Entendo, afinal eu também adoraria que o mundo fosse cor-de-rosa. Seria lindo se os políticos falassem a verdade, os veículos não negociacem direto com os clientes, os briefings viessem sempre completos, os prazos nunca chegassem estourados e as pessoas lutassem pela paz mundial. Mas acho que até porque a gente não merece, a vida não é assim. Então, tentamos fazer de conta que é, caprichando nas palavras. Com uma boa dose delas é possível ver as coisas por um ângulo diferente. Mais leve, mais bonito, mais reconfortante. Mas mesmo sabendo disso, não aceito me faltar com a verdade. Nem comigo, nem com os outros.

Talvez por isso e pelo fato de viver nesse exercício de procurar as palavras certas, fico tão triste quando uma mensagem que parecia tão clara é mal compreendida. Penso que devia me fazer entender sendo essa uma parte tão importante da profissão. Nem sempre é possível. Então, ponto, letra maiúscula, na outra linha. Assim como a Britney, é melhor tentar de novo.

What next?

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