quinta-feira, 7 de maio de 2009
O tanto do tempo
Quanto tempo dura uma ideia? Os ideais envelhecem com a gente? Qual o limite entre o charme da tradição e algo ultrapassado? Por que algumas marcas, que fizeram parte da nossa infância, cheiram a boas lembranças e outras a naftalina? Pensei sobre isso outro dia enquanto almoçava. Um senhor a minha frente conversava com uma garota sobre um espetáculo de arte que iria realizar e falava com enorme entusiasmo de suas ideias, infelizmente, sem encontrar eco em ninguém, além dele. Comecei a prestar atenção na conversa quando o hiato entre um cometário e outro da garota eram cada vez maiores, como quem se cala esperando que venha outro assunto. Não porque lhe faltasse informação para falar a respeito, mas porque o que ele dizia era óbvio demais. Gasto demais. Longos minutos de tortura depois e ele chamou o dono do bristrô, um artista plástico, na tentativa de ser melhor entendido. Silêncio de novo. Especialmente quando o homem falou da brilhante idéia de colocar no ambiente uma escultura pegando fogo. Tive pena dele. Talvez por entender bem o que significa a responsabilidade de ter uma solução criativa para tudo. Talvez porque ele estivesse se sentido super moderno ao combinar uma calça social com camiseta. Talvez porque tenha pensado cada vez mais na incerteza do tempo. Talvez por reparar que depois dos sessenta, quase tudo o que as pessoas dizem e pensam perde o crédito diante do imediatismo. Talvez porque em nenhum momento ele pareceu ter percebido que a platéia estava completamente entendiada. Pensei que todos corremos esse risco. De ser menos interessantes a cada dia. De usar frases rotas, ideias puídas, certezas frouxas. De perder o charme e a surpresa diante da rotina. A sensação é de que passamos a juventude enchendo um recipiente com sonhos, projetos, desejos, promessas e informações que vamos usando ao longo da vida. Como qualquer coisa que se consome, sem reposição, uma hora acaba. Deu medo. Talvez por isso eu tenha disparado inconscientemente uma ordem para o meu cérebro jogar fora as informações velhas e me obrigar a absorver novas. Talvez por isso eu tenha visto quatro filmes e lido dois livros em apenas um final de semana. Talvez por isso eu esteja me forçando a ler jornal e encontrado mais prazer nos documentários do Discovery Chanel. Talvez. Mas por via das dúvidas, tirei todos os livros da estante e coloquei bem na minha frente.
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