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quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

À coluna  

Você que parecia minha amiga e hoje me virou as costas. Você que me nega o direito de encostar a cabeça no joelho, sem ter que dobrá-lo. Você que me obriga a passar menos tempo na frente da Tv, mesmo quando o filme é maravilhoso. Você que me fez descer do salto e assumir o estereótipo de baixinha. Você que me fez adiar o sonho de ser bailarina. Você que me levou várias vezes para o médico, inclusive para tomar choques e overdose de raio laser. Você que eu pensei não ter sido herança de família. Você que dói quando abaixo para abotoar a sandália. Você que levou uma almofada feia para a cadeira bonita do escritório. Você que me ensinou a conhecer a importância de um relaxante muscular. Você que diz que preciso fazer natação e não corrida. Você que faz os dias parecerem mais longos do que realmente são. Você que doeu um Natal e um Ano novo inteiros. Você que é uma parte muito importante de mim e que me lembra disso mais do que eu gostaria. Sim, é com você que estou falando. Desculpe não ter cuidado melhor da senhorita. Desculpe todas as vezes que sai do trabalho depois da meia noite. Desculpe todos os dias que sentei na ponta da cadeira sem alcançar o encosto. Desculpe não ter feito a fisioterapia até o fim quando você me avisou que era preciso. Desculpe não ter levantado de madrugada para tomar o remédio. Desculpe desobedecer a ordem de fazer mais exercícios. Desculpe ter trocado o Pilates por mais cinco minutos de sono. Desculpe ter permitido que o massoterapeuta japonês colocasse você no lugar errado. Desculpe ter demorado tanto para trocar de travesseiro. Desculpe mesmo. Estou arrependida. Você me perdoa? Promete? Tá bom. Eu também prometo várias coisas. A mais importante delas: continuar amando você, mesmo que sejas assim, ingrata e invertebrada.

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