sábado, 27 de fevereiro de 2010
Ode à coragem
Este blog começou por vários motivos. O mais importante deles sempre foi testar o meu "conteúdo". Não falo daquele tipo de conhecimento que equivale à arrogância e é exatamente o contrário de humildade. Esse eu nunca quis. Queria sim descobrir se eu ainda sabia escrever sem a voz autoritária de um job, sempre me dizendo aonde devo ir, com quem e quando devo voltar (é triste, mas os clientes conseguem uma coisa que meu pai nunca conseguiu de verdade: mandar em mim). Um ano depois, sinceramente ainda não tenho essa resposta. E enquanto ela não chega, vou escrevendo o que me vem à telha, numa espécie de verborragia que, às vezes, de tão estranha, faz com que as falas de Bridget Jones até aparentem alguma lógica. Mas, se tem uma coisa que esse blog já me ensinou é que, para se expor, é preciso coragem. E escrever é se expor. É apresentar as suas deficiências de ortografia, sem o aviso prévio sobre a má qualidade da sua escola pública. É revelar suas dúvidas infundadas, suas certezas rotas e suas ideias puídas. Escrever é colocar no papel um pouco de quem você é, mas, especialmente, uma grande parcela do que você gostaria de ser e ainda não conseguiu. Escrever é correr todos os riscos possíveis, sabendo que, na pior das hipóteses você pode não ser lido e, na melhor, você pode não ser amado. Digo isso porque, mesmo depois de 14 anos escrevendo por profissão, a minha escrita ainda não me representa. Mesmo assim, ela é uma parte importante de quem eu sou. E talvez eu nunca seja tudo o que gostaria de ser. Falo também de coragem porque meu dia foi feito disso. E escrever é aprender a definir o que vale a pena ser registrado, dentre todas as outras possibilidades do que foi vivido. Duas pessoas, hoje, me lembraram que a coragem é um sentimento bonito. Uma dessas pessoas é a minha Chris, com quem aprendo sempre, desde que nasci. A outra é alguém que trabalha comigo e de quem sei pouco. Cada uma do seu jeito, essas duas pessoas enfrentaram uma pequena batalha hoje e, para mim não importa se elas venceram ou perderam. Importa sim, os motivos que os levaram ao combate e a grandeza com que se mantiveram nele. Até por experiência, sei que, a maioria das pessoas preferem a vitória e, muitas vezes, vencer é sinônimo de ter razão. E o que é a razão afinal? Quanto mais penso sobre isso, mais percebo que estar certo não é tudo isso que dizem. Não é sempre bom, mas principalmente, não é sempre verdade. Hoje, para mim, a razão não passa de uma definição popular; uma certeza instituída pelos outros, com a petulância de nos dizer o que é certo e errado. Quase sempre, a razão é construída a partir de uma visão muito pessoal, de um ponto de vista próprio e, exatamente por isso, não merece total confiança. O engraçado é quando se tem coragem de levantar uma bandeira ou de não mais levantá-la porque deixou de fazer sentido, é muito comum que as pessoas nos questionem e tentem nos mostrar que estamos errados. Errados para quem, afinal? Eu diria: "dane-se!". A verdadeira razão para mim não é sinônimo de racionalidade e sim, da nossa capacidade de somar emoção, sonhos, planos, acertos e tropeços e, depois de tudo isso, ainda conseguir tomar algum partido na vida; reivindicar um lugar no mundo e assumir uma opinião contrária, mesmo que ela não dure para sempre. Essas duas pessoas admiráveis fizeram isso hoje e, quando o fizeram, também fizeram algo por mim: mostraram que a vida é uma coisa bem estranha. E estranha de verdade, porque é por meio dela que conhecemos pessoas que discordam de nós. E discordam tanto e com tão pouco respeito que acabam por nos mostrar que não precisamos da sensação enganosa de estar certos. Apenas da certeza boa de que somos dignos da felicidade.
wow!
mto bom o post Li.
é muito bom ler um texto com o qual nos identificamos!
bejo
Lucas
ps: adorei o título! rs
Li,
Obrigada...
Te amo, infinitamente!
Chris