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sexta-feira, 2 de abril de 2010

Um presente para mim  


Capítulo 1: A chegada

- Alô, Ana?
- Ei Liliane, já tá em BH?
- Tô sim, cheguei ontem.
- Legal. Olha só, como eu disse no e-mail, essa semana tá bem corrida pra Cris. Ela tem uma série de palestras nas faculdades e o tempo está meio complicado.
- Tudo bem, Ana. Liguei rápido pra vocês terem tempo de se programar.
- Ok então. Eu ligo pra você e a gente combina. Se eu conseguir, passo pra buscar você. A gente passeia e te mostro um pouquinho da cidade.
- Ótimo, fico esperando então. Um beijo e obrigada.
- Beijão. Até mais.

Capítulo 2: A espera

- Oi moço, tudo bem? Alguém me ligou?
- Ainda não.
- Tá bom. Mas uma moça chamada Ana Lúcia Campos vai me ligar no número aqui da pousada, tá? Se eu não estiver aqui, você anota o recado? Meu nome é Liliane.
- Pode deixar.
- Muuuuito obrigada.

(... )

Capítulo 3: O grande dia

- Alô... Oi Ana, tudo bem?
- Ei Liliane. Cê tá boa?
- Tô bem, sim. Adorando a cidade.
- Legal, olha só, surgiu uma brechinha na agenda da Cris. Ela desmarcou um compromisso e pensei na gente almoçar juntas. Que cê acha?
- Acho ótimo!
- A gente pode se encontrar no Pátio Savassi, que fica pertinho pra você, e daí decidimos se a gente almoça lá mesmo ou se vamos pra outro lugar. Dá tempo?
- Que horas são agora? 10h20 né? Dá sim!
- Legal. Eu chego antes, tipo 12h30 e a gente vai conversando. Acho que a Cris vai demorar um pouquinho mais. Não deve conseguir sair da agência no horário.
- Tudo bem, combinado!
- Como a gente vai se reconhecer?
- Eu conheço você, vi uma foto no blog. Você ainda está loira?
- Tô sim, com o cabelo amarelão. Qualquer coisa a gente pode fazer como nos filmes: eu coloco um cravo na lapela... (risos)
- (Risos) A gente pode fazer outra coisa: eu vou com o livro da Cris, embrulhado em uma fita vermelha. Assim você também me reconhece...
- Combinado! Você sabe onde fica um café chamado "Café do Museu"?
- Sei, espero você lá.
- Ok então, até daqui a pouco.
- Beijo Ana, obrigada.

[Pausa para pular com os braços para cima]

Capítulo 3: O encontro

- Ei Liliane, achei você!
- Oi Ana, tudo bem?
- Esperou muito?
- Não acabei de chegar. Só deu tempo de pedir um suco pra ver se melhora a gripe.
- Desculpa, tava arrumando o meu armário. A secretária me intimou e acabei me atrasando.
- Tudo bem, tenho todo o tempo do mundo.
- Olha a Cris, vindo aí. Acabamos chegando quase juntas.
- Oi Liliane, tudo bem?
- Oi Cris, que prazer...
- O prazer é todo meu.
- Onde a gente vai almoçar,Cris?
- Que você acha Liliane?
- Por mim pode ser aqui mesmo. Assim não fica corrido pra vocês.
- Ah, tem um restaurante ótimo aqui. Pode ser pra você Ana?
- Fechado!
- Antes vocês me dão licença pra eu ir ao banco tentar pagar uma conta? Tem que ser hoje.
- Tudo bem, vai lá. Eu e a Liliane esperamos por você aqui.

(...)

Capítulo 4: A conversa

- Oi, boa tarde! Mesa pra três?
- Isso, mesa pra três!
- E aí Liliane, tá gostando de Minas?
- Muito Cris, é muito melhor do que eu havia imaginado.
- E você veio a trabalho? Pra fazer alguma coisa da agência?
- Não, vim por sua causa!
- Jura? (Risos) Olha isso, Ana...
- É verdade... Meu avô materno era mineiro, um avô de quem a gente sabe muito pouco e, mesmo assim, consegue ser nosso avô preferido. Sempre tive vontade de conhecer o estado, mas não sabia direito porque. Daí me apresentaram o blog de moda, depois o "Para Francisco" e tô aqui...
- Que legal. Fico feliz que você esteja gostando...
- E como anda a sua vida, Cris? Muita correria?
- Bastante, tem muitos projetos, muita coisa nova acontecendo. O fato de eu trabalhar o dia todo na agência torna as coisas um pouco mais complicadas. Mas, depois que a Ana entrou na minha vida, tudo mudou. Mudou pra melhor...
- Vocês já eram amigas, Ana?
- Mais ou menos. A gente era "amiga de boteco". Eu e a Cris namoramos dois irmãos. Eu o irmão mais velho e ela o irmão mais novo. Os namoros passaram, mais a amizade ficou...
- É engraçado como algumas pessoas entram na vida da gente só pra nos trazer outras, né? Isso acontece sempre.
- É verdade... Então você veio mais pra conhecer a Cris, Li?
- Foi... Um dia eu estava na agência, a minha irmã gêmea, Chris me mandou um e-mail...
- Você também tem uma Chris? - Perguntou a Cris...
- Tenho sim, eu tenho a minha própria Chris (risos). Então, ela me mandou um e-mail falando sobre um curso de fotografia que iria fazer em Belo Horizonte. Me deu um clique e eu respondi: "Se eu for com você, vou atrapalhar?" Ela respondeu dizendo que não, que eu ficaria um bom tempo sozinha porque o curso seria o dia inteiro. Liguei pra minha sócia e falei: "Tudo bem se eu tirar as minhas férias em março? Ela respondeu "Claro que sim, a gente se vira por aqui". Eu encerrei: "Ok, saio dia 15 de março então". Confesso que pra mim ainda é estranho. É diferente conhecer alguém que escreveu um livro né? Eu sinto isso. Acho mais: sempre ouvi ótimas referências da sua terra, tem a história do me avô, as coisas que minha mãe conta, mas você foi a cola que juntou tudo isso. Nunca fui tiete de ninguém, mas de você eu sou!
- Olha isso, Ana! Que bonitinha... Deu até um arrepio...
- É verdade, Cris. O carinho que a gente tem por você é genuíno e merecido. Lá na agência, muita gente sente a mesma coisa. Hoje, quando eu soube que a gente ia se encontrar, avisei pra algumas pessoas e eles me mandaram mensagens desejando sorte e cheias de carinho por você.
- Que bonitinho... A sua agência é a Mercatto, né? Eu vi mesmo uma mensagem no Twitter dizendo que você ia almoçar comigo.
[ Pausa pro rosto corar e rir por dentro - Ê Lê, você é um querido...]

Mais de uma hora de conversa depois, lá fui eu com a Cris e a Ana escolher um par de sapatos que ela ganhou de uma loja no shopping. Sem nenhuma condição, mas com a gentileza implícita de que divulgaria no "Hoje vou Assim". Descemos a escada rolante conversando, entramos na loja, fui apresentada e fiquei observando de longe enquanto as pessoas tiravam fotos, distribuíam abraços e perguntavam sobre o Francisco (não tive coragem de fazer o mesmo, com medo de ser invasiva, apesar de ter tido vontade de dizer o quanto ele é lindo e o quanto são lindas as coisas que sei a respeito dele). A Cris teve que voltar pra agência, mas antes me abraçou de verdade. Como quem já me conhecia a tempos e me convidou pra assistir à palestra que daria mais tarde. Ana me fez companhia o resto da tarde e conversamos de tudo: pais, filhos, tempo, novos tempos. Uma conversa tão natural e verdadeira quanto o nosso encontro. Ela disse que somos "do mesmo raio", o que os adolescentes chamariam de "a mesma vibe". Concordei e desejei que fosse verdade. É bom ser do mesmo raio que gente do bem. É bom também realizar sonhos. Por mais simples e improváveis que eles sejam. Continua...

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