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quinta-feira, 6 de maio de 2010

6 coisas impossíveis antes do café da manhã  

No domingo, dia 25 de abril, acordei decidida a me dar um presente. Depois de duas semanas trabalhando direto, inclusive aos finais de semana e feriados, pensei que a recompensa perfeita seria assistir "Alice", na visão de Tim Burton. Por um momento achei que não ia conseguir. Assim como vinha acontecendo há bastante tempo, me senti mal e acabei em casa, com muito cansaço e mal estar. Acordei de um sono profundo, quase como a Bela Adormecida, e fui assim mesmo ver o filme. Valeu a pena. A história, que já era minha preferida, ganhou cores mágicas e uma interpretação toda especial. No final, antes dos letreiros entrarem, me peguei pensando em uma das frases ditas pela personagem: "meu pai sempre me fazia pensar em seis coisas impossíveis antes do café da manhã". Achei aquilo bom e importante. Especialmente para mim que não tive a educação mais lúdica do mundo. Tentei pensar em que coisas que eu pensaria no lugar dela. Deu branco. Entendi, de novo, que nunca fiz o tipo "maluquinha" e que esse não seria um exercício muito simples. Na segunda, acordei e fui direto para o hospital, de onde o médico quase não me deixou sair. Soro, remédio e o diagnóstico de uma pangastrite, uma bactéria no estômago e uma alteração hormonal. Na terça acordei melhor. Fui para a agência, trabalhei como se nada tivesse acontecido e, na quarta, a primeira surpresa: hospital de novo. Mais mal estar, mais fraqueza, mais certeza de que alguma coisa além do que o médico havia dito estava acontecendo. Depois de mais soro, mais remédio e mais picadas no braço, o pedido de uma ultrassom. Poderia ser visícula e se fosse, também seria cirurgia. A médica que me atendeu riu ao ouvir os motivos que me levaram até ali. Quando falei a palavra "enjôo" na lista dos outros milhares de sintomas, fez um gracejo e disse que os homens são todos uns bobos. Que a maioria, quando médicos, não podem ouvir essa palavra sem suspeitar de uma gravidez. Ao terminar a frase, ela estava com o aparelho na minha barriga. Moveu para um lado. Moveu para o outro e, por um segundo, vi algo que nunca tinha visto antes. Não daquele ângulo. Foi então que a médica completou a frase, agora rindo de si mesma: "Ok, nesse caso o médico tem razão: você está grávida". Um post inteiro seria pouco para descrever a sensação. De frio na barriga. De burrice instântanea e irreversível. De medo. De preocupação. De felicidade nunca experimentada desse jeito. Saí de lado em estado de choque, não exatamente em estado de graça. Não era medo por mim. Não era o fato do bebê ter sido planejado para daqui a um ano. Não era medo da reação do pai (essa eu já sabia que seria maravilhosa). Era desaprendimento mesmo. Falta de referência do que se deve sentir e fazer. E medo de que a minha mania de colocar tudo em primeiro lugar, antes inclusive da saúde, afetasse outra vida que não a minha. Muitas perguntas continuam sem resposta. Pricipalmente as médicas. Mais algumas coisas eu já sei: foi no dia 28 de abril que descobri a maior coisa que já fiz na vida, ainda que ela(e) só meça 1.27 cm. Que uma gravidez é mil coisas ao mesmo tempo e, uma delas, é "estranha". O corpo e as vontades mudam em uma velocidade alucinante. Muito maior do que gira-gira ou roda gigante. E algumas coisas impossíveis já começaram a acontecer: 1) eu, chocolover assumida, hoje nem posso sentir o cheiro do meu chocolate preferido; 2) é possível sim, comer de hora em hora, que nem TeleSena; 3) ao contrário do que sempre imaginei, sim eu sei cozinhar (descobri um dia antes quando preparei um jantar pela primeira vez em menos de 1 hora); 4) as coisas mais importantes que acontecem no nosso organismo podem ser silenciosas e chegam sem avisar; 5) pipoca com molho de pimenta nunca mais será tão maravilhoso; 6) casamento, casa nova e filho tudo de um vez. Yes! We can! Tudo isso, em jejum. Antes do café da manhã.

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2 comentários: to “ 6 coisas impossíveis antes do café da manhã


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    Será que o pai tem um espaço no blog da mãe? Dou um oi, peço licença, e sento na poltrona pra falar da sensação de se descobrir Pai.
    O medo de ver uma expressão tão diferente no rosto de quem se ama. A notícia que vem de um jeito assim, meio estranho, entrando por entre as idéias e bagunçando tudo, ao mesmo tempo que limpa a mente e parece haver um vazio grande, onde se pode ouvir um eco dizendo "pai", sem saber o que isso significa. Depois a preocupação de cuidar melhor ainda daquela que você escolheu para amar e ficar ao lado, porque agora são duas pessoas. No fim, um sentimento de culpa por não saber o que fazer com essa notícia tão grande e importante. Só resta olhar nos olhos e ficar assim, olhando e tentando dizer: "está tudo bem".
    Tem os exames, tem os cuidados e tem os medos. Mas sim, está tudo bem. E tem também a felicidade de ser noivo-marido (rsrs) da mulher mais linda do mundo, de ser papai e de ter uma nova vida começando (em todos os sentidos).


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    Liliane, Eliezer, parabéns! Não cheguei a chorar quando li esse post, mas fiquei abobalhado (rsrs).
    Já plantei uma árvore (um ipê rosa enorme, lindo! E um pé de feijão na 2ª série). Já escrevi dois livros. Agora só me falta ter um filho. Na verdade eu quero uns três. Cheguei até a sonhar que a minha esposa estava grávida de quintuplos. Ainda bem que é só um sonho.
    Por isso imagino a alegria de vocês.

    Bom, felicidade a vocês três!
    Ósculos e amplexos!