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terça-feira, 22 de março de 2011

Recém-nascida  

Primeiro você foi estado de choque. Uma mistura de frio e de medo. Medo de ser a pessoa errada a receber o presente certo. Medo de ser pequena demais para uma experiência tão grande... Mas você foi medo por pouco tempo. Segundos depois já era olhos cheios de água. De uma felicidade confusa e suspensa de quem não tinha a mínima ideia do que estava por vir. Sim, você foi uma porta que se abriu para um saguão cheio de gente e um par de olhos que não sabiam ler os meus. Mas sorriram ao saber de você e não pararam de sorrir nunca mais. Acredite, você já foi branco no cérebro e uma sensação de emburrecer. Um desejo de devorar todos os livros do mundo, de desmontar os brinquedos mais complicados e entender a lógica do relógio, para ter o que ensinar. Por algum tempo você foi espaço vazio na barriga e pressa de vê-lo preencer. Quarto vazio, parede sem ar condicionado, dispensa sem comida e falta de roupa no varal. Tudo isso você foi. E é bonito ver que você foi tudo ao seu tempo, para hoje ser muito mais. Olhos que brilham no escuro, cheiro de leite e sabonete, banheira de água quente, gaveta com cheirinho de sachê, toalha com capuz, sandália que não serve, brinquedo espalhado no chão, fralda tamanho M, riso de orelha a orelha, barulhinhos bons. Você é tanto filho que, ao seu lado, sinto que acabei de nascer.

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1 comentários: to “ Recém-nascida

  • Anônimo

     

    chegando ao fim do texto, eu comecei a me convencer ... a gente espera tanto pelo momento em que vamos nos sentir prontos para tudo (e sabendo de tudo), e quando ele chega um sinal alerta: a vida anda chata demais. Difícil acreditar, mas frio na barriga é a previsão de bom tempo chegando.

    (que bom q vc voltou pra cá)
    thi.